De potência, nadadores e o quê o Bobsled nos ensina.

O queniano Wilson Kipsang vinha escoltado por um adversário nos quilômetros finais da Maratona de Londres quando acelerou como um maluco para definir sua vitória. É assim no esporte. Se você parar pra pensar, praticamente tudo no esporte se define na potência. Nos 10.000m ganha quem fizer a última volta mais rápida e ganha o jogador que chegar primeiro na bola que está há 30m deles. Uma piada que ouvia na faculdade (EEFE-USP) era a que dizia que as fibras vermelhas (aeróbias) não servem pra nada. As brancas (potência e força) são as que definiriam os vencedores. As modalidades nas quais só a resistência é preponderante (Ironman, Ultramaratona, Marcha 50km…) ninguém transmite porque ninguém assiste porque são um porre de chatas.

Imagem pirelli

 

Não sei como comecei essa discussão com uma amiga dias atrás. Era um debate “técnica versus potência”. Eu relembrei o caso de um professor. Um monstro do atletismo (Decatlo), sem treinar natação ele ganhou uma etapa do Paulista na prova mais curta tentando mostrar que “nadador (velocista) que se orgulha de nadar 10km por dia não é nem raçudo nem dedicado, é burro mesmo”. A lógica? Pra quê nadar tanto volume para cruzar uma piscina? Como o lançamento de dardo era a especialidade dele, ele sabia que a potência que ele tinha no braço era maior do que a de qualquer nadador que você já viu. Pra quê contar milhões de azulejos? É a mesma lógica que torna inócua a ideia de ficar sentado fazendo mesa extensora na academia pra melhorar sua corrida.

Isso me fez lembrar um causo engraçado de um colega que aprendeu a jogar handebol apenas na faculdade. Ogro que era, vivia ouvindo dos mais talentosos que ele não tinha “recurso”, palavra em moda hoje pra descrever habilidade e leitura de jogo. Só que ninguém tinha mais braço do que ele. Ninguém. Em um contra-ataque numa partida ele correu batendo bola mais do que um atleta mirim meia-boca, ele “chutou” a bola de forma tão potente que não deu pra ver nem braço nem bola. A bola rebateu nas 3 traves e… GOLl! Voltou trotando pra defesa, virou para todos nós e batendo no bíceps falou: pega esse recurso. Meses depois foi o único convocado para a seleção brasileira. A técnica dele? Supino.

Obviamente que potência não é tudo. Assim como houve inúmeros jogadores mais altos do que Michael Jordan ou mesmo mais velozes do que Pelé, não há algo que por si só defina um vencedor. A própria sorte tem um peso enormemente subestimado. Mas há exemplos que a história do esporte foi nos ensinando. Uma das mais interessantes é a do comitê olímpico australiano que definiu seu time baseado não na técnica, mas na potência, magistralmente recontado por David Epstein em seu The Sports Gene. Ou então, no mesmo livro, de como um saltador de Bahamas (potência) ganhou do sueco que mais treinou na história (pura técnica).

Antes de correr pra me lembrar de vencedores muito talentosos, por favor, repito, não há ponto final. As duas coisas são essenciais. Eu que teimo em ficar com a potência.

pirelli

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6 pensamentos sobre “De potência, nadadores e o quê o Bobsled nos ensina.

  1. Luis Oliveira disse:

    Balu, sua escolha dos anúncios da Pirelli foi feliz. Potencia sem controle não é nada. Ou, em uma versão mais cafajeste, não é o tamanho da potencia, mas a forma como ela aplicada. Seu professor ainda precisava saber nadar. E bem. Ou não conseguira transmitir a potencia dos braços.

    No final das contas, eu prefiro uma analogia com um copo de chopp. O tamanho do copo é potencia pura, o chopp propriamente é a potencia efetiva aplicada e a espuma é quanto da potencia é desperdiçada pela falta de técnica / habilidade atlética. A relação chopp / chopp + espuma é a resposta.

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  2. Nishi disse:

    Teria sido isso o que o Salazar começou a treinar no Mo Farah, quando falou que ele era o atleta mais fraco (no sentido de força muscular) que ele tinha conhecido?

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  3. Mauro Leão disse:

    Phelps, monstro da natação em varias provas e estilos, segundo seu treinador nos exercícios de força fora da agua não chegava nem perto dos outros… Nadal, com sua enorme potencia e bíceps, consegue neutralizar o maior e mais “habilidoso” da historia Federer…

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  4. Breno disse:

    Interessante, Balu! Concordo em partes…nadei competitivamente até meus 17 anos, cansei de ganhar de caras mais altos e fortes, especialmente nesse esporte acho que a técnica é preponderante, acho que o exemplo não foi tão feliz, como o Luis falou, certamente além da potência seu professor tinha uma boa técnica. Trazendo o tema pra corrida, como ampliar essa potência na corrida de rua? Musculação, treino intervalado? Ou se nasce com essa predisposição e ponto?

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  5. Fábio disse:

    Técnica (inteligência) Potencia (força) Mente (Psicológico) – Essa “trindade” tá ligada a atletas gênios (os melhores)……….. No esporte de alto nível um depende do outro…….Um atleta sem essa “trindade” não consegue ser um gênio no seu esporte …. Claro que cada esporte tem sua peculiaridade ………..
    Balú, esse seu amigo não devia só ter força nos braços rsrs devia ter uma técnica para conseguir acertar o gol, senti uma pitada de inveja no seu comentário rs, pq não foi você o convocado para seleção rsrs (brincadeira)………… Seu caso também me fez lembrar de um bem parecido, só que no futebol, um amigo que tinha uma potência no chute, mas o problema era ele acertar o gol rsrs, mas também quando acertava entrava goleiro bola e tudo rsrs……..

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  6. Fiquei pensando no lance da corrida tb, tudo bem que faço musculação pra ajudar a corrigir a passada, sem um músculo forte não adianta fazer milhões de aducativos…ou adianta?
    Comprei o sports gene, tá no table há meses preciso ler.

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