Mais Pitacos do mercado (3)

Já vieram me perguntar algumas vezes se eu não ia comentar o texto do Erich Beting sobre a nova estratégia da Mizuno na corrida. Primeiro perguntaram se eu não diria nada por se tratar da concorrente Mizuno e tal. Não, não falei nada porque o tema me parece muito mais uma conversa de bar. Torço sinceramente pra que tudo na Mizuno em 2014 dê muito certo, acredite! Eu simplesmente adoro eventos de corrida!

Lendo, de cara parei porque sempre que leio o termo “(corredor) amador de elite” penso três coisas:

  1. Embargos infringentes: é um tecnicismo que caiu na boca de todo mundo, mas ninguém sabe explicar;
  2. Rico-pobre ou pobre-rico: na corrida quem é elite ganha ($$) pra correr. O “amador de elite” sugeriria um Dalai Lama que corre bem, mas não ganha porque não quer. Quem não ganha não ganha porque não consegue não por não querer, é bem diferente!
  3. A nível de”: a pessoa rebusca, erra a linguagem e não diz nada com nada.

Por quê? Porque não consigo sequer identificar o “amador de elite”… é qualquer um que corre bem? Que usa redes sociais? Qualquer um assim é mesmo “o principal formador de opinião dentro do mercado”? Pra quem argumenta isso digo: eu TRUCO!!

Acabei de ler o ótimo Think Twice do Michael J. Maubossin. Nele, o autor repete constantemente para jamais explicarmos os acontecimentos em sistemas complexos com simplicidades do tipo A gerou B. No exemplo dado, A é “investir no (argh!) amador de elite” e B é o “crescer no mercado de corrida”. Dizer que o Revezamento Nike 600 é investir na elite ou responde pelo aumento de vendas no período é de um achismo de conversa de bar. É tratar a complexidade que envolve produto, distribuição, comunicação, política de preços, mercado global e ações nas lojas com a profundidade de um pires. A Nike cresceu no segmento da corrida como um todo, uma vez que nem sabemos categorizar e identificar o (ARGH) amador de elite.

Não precisa ser especialista pra ver que a Mizuno entrou pesado em 2014: Ironman, Circuito das Estações (36 provas), Half Marathon, Uphill, Maratona de Porto Alegre… Ela vai crescer em vendas? Não sabemos. E se crescer, quanto será por causa do patrocínio nesses novos eventos? Não saberemos. O que acontece é que engenheiro de obra pronta vai explicar o complexo pelo simples. Isso nunca falta! Em qualquer que seja a área de atuação!

Explicar depois do acontecido qualquer um consegue, mesmo estando 100% equivocado. Acreditar se está certo, aí vai por conta e risco.

*tenho números que não vou compartilhar, mas se engana quem pensa que a Nike está em “inércia” nas vendas do mercado de running… Truco 2!

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13 pensamentos sobre “Mais Pitacos do mercado (3)

  1. aatorretta disse:

    Se você gostou desse, vou ter que recomendar efusivamente (de novo, acho) o Everything is Obvious – once you know the answer, do Duncan Watts.
    Só acho que pra pararem de explicar eventos complexos com explicações simplistas e como se fosse óbvio, a posteriori, é melhor destruir esse mundo e começar de novo.

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  2. Andre Berlesi disse:

    Falando por mim acho muita pretensão do Erich dizer que a Nike não “ter muito mais com o que inovar”. Não falando dos produtos, mas dos eventos em si, me parece que a “simples” corrida Rio Corre 10k da um banho nas concorrentes em vários quesitos. Não acredito tbem que ela não virá com alguma novidade para o segmento da corrida.
    Quem corre pensando em melhorar seus tempos não se preocupa muito com marca de tênis não. Qualquer praticante de corrida, no fundo no fundo sabe que o tênis/marca pouco influencia na performance.
    Todas as principais marcas esportivas disponibilizam excelentes tênis para a prática da corrida, particularmente procuro alinhar preço e conforto, a marca pouco importa.

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  3. Marcel Pracidelle disse:

    SEIS, ladrão!!!

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  4. Amador de elite não seria aquele que de vez em quando ganha na faixa etária ou até mesmo belisca um pódio no geral?
    Ou quem chega entre os 5% primeiros?
    É só alguém dar uma definição que seja aceita pela maioria.

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    • Walter White disse:

      acho que não… observamos a diferença qdo tem premiação em dinheiro… aí a galera que ganha aqui na minha cidade não fica nem entre as 10 primeiras…

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      • Walter White disse:

        assim, o que eu quero dizer que as vezes o nível da prova é muito ‘baixo’ e não necessariamente quem ganha tá correndo muito.. é falta de gente competitiva… já vi mulher ganhar corrida fazendo 10kmpara 49′.. não dá pra dizer que é atleta amador (na minha opinião)… tem muita gente aí “amadora” correndo abaixo de 40′ treinando dia e trabalhando a noite…

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  5. Walter White disse:

    hahahaha tem muita gente se achando atleta amador!!! Pelo menos é o que eu escuto, calada, claro!!! Mais ou menos assim: “nós que somos atletas…” Oi???? Não sou atleta, apenas me exercito correndo, procuro me manter saudável… longe de mim querer cagar regra de comida saudável o tempo todo, hrs pra dormir, recordes para bater, etc…

    Sempre achei que atleta amador fosse alguém com rendimento próximo (eu não disse igual) de um atleta profissional, mas que fica na condição de amador justamente pq não tem competitividade suficiente para disputar em nível nacional.

    No facebook, no grupo viciados em corridas, vira e mexe tem um sem noção que pergunta a média de tempo em uma prova pq a pessoa faz em tanto tempo e que ganhar!!! Em tempo…. não faço parte desse grupo, mas já que todo mundo te pede alguma coisa, e como perguntar não ofende… no meu caso, é pedir não ofende hehehe.. gostaria muito de saber como vc encara os fanfarrões e presepeiros da corrida!

    Bjs

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  6. Marcos disse:

    Amador de elite é o nome do corredor que “gente que corre” sonha se tornar. Kkkk
    Realmente não tem como categorizar essa classe, ao menos aqui no Brasil, mas acho que essa ideia de amador de elite existe verdadeiramente no mercado e que fala de um desejo de maioria de ser um corredor melhor. Nesse contexto, mesmo entender não é importante. O importa é atingir o desejo. Mas, como você sempre diz Balu, tem muito achismo nisso tudo.
    Será que existe uma ideia semelhante no maior mercado. Não sei se foi por aqui que peguei esse link:
    Sub-Elite Runners Chase Improvement – NYTimes.com : http://mobile.nytimes.com/2013/11/04/sports/sub-elite-runners-chase-improvement.html?_r=0

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  7. Não vejo muito problema no termo amador de elite. Pra mim a separação é clara: Atleta profissional é o cara que só ganha dinheiro com a corrida, seja de seu clube, patrocinadores, premiações. Isto é, ele é profissional, vive disso, não tem outra fonte de renda. Amador de elite é o cara que não é atleta profissional mas tem um desempenho muito bom, inclusive alguns não querem mesmo ser atletas profissionais, como o juiz de direito Antonio Mansur, e deve haver outros. Enfim, é o cara que não vive do dinheiro da corrida, ou porque não pode como disse o Balu, ou porque não quer ou não precisa, e vai lá e faz 2:25 numa maratona, por exemplo, esses pra mim são os amadores elite, os melhores entre os não profissionais.

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  8. Nishi disse:

    Ahn… eu sei explicar o que são embargos infringentes. Se quiser…

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