Uns pitacos sobre o mercado

Passou quase despercebida o incrível sucesso de público (talvez não de crítica) da Meia Maratona Internacional de São Paulo da Yescom no domingo 23 de fevereiro. Com seus quase 6.500 concluintes ela teve um crescimento de mais de 37% (*o mercado de 21km cresceu menos de 7%)! Qualquer evento com esse crescimento é um sucesso! Ela assim se firma como a 3ª maior prova do país na distância.

O sucesso da prova mostrou a todos que mesmo em ano de Copa do Mundo, o que obrigou a organizadora a fazer a prova em um atípico Fevereiro, dá pra ter sucesso. Acabou indiretamente jogando peso em outras provas (leia-se Mizuno Half Marathon e Golden Four ASICS) para que a desculpa de uma estreia “já” em Março não poderá responder sozinha por alguma eventual dificuldade.

E por fim, independente das críticas (parece que houve falta de água ao final da prova e confusão com os tão indesejáveis pipocas) que a prova receba, uma coisa vai ficando clara pra mim: por mais que aquele aluno de assessoria cara que corre na Lagoa Rodrigo de Freitas (RJ) ou no Ibirapuera (SP) cornete, não é com quem a Yescom quer tanto falar. Nosso mercado é mais rico e variado do que apenas um tipo de consumidor.

"Bandit" nos EUA, "pipoca" aqui... essa é a diferença entre lá e aqui.

“Bandit” nos EUA, “pipoca” aqui… essa é a diferença entre lá e aqui.

Parece haver toda uma turma cujo passatempo preferido nas 2as feiras após provas da Yescom (sejam boas ou não) é amar ainda mais odiar a empresa. A esses um aviso: há muita gente satisfeita, os números dão suporte. Para esses, ela entrega muito bem aquilo que promete.

Eu tenho minhas suspeitas que sua relação com a Globo traga esse peso. Mas não canso de ver quem queira assumir esse fardo de tentar defender quem já é adulto o suficiente pra fazer suas escolhas. São tantos os corredores que voltam à São Silvestre e às Meias no RJ e SP que me dão a certeza que ela tem seu público fiel. E esse público não precisa de heróis blogueiros justiceiros tentando defendê-los.

Não me canso, cada um tira da corrida aquilo que quiser. Há provas para todos. A menos que você tenha se sentido desrespeitado no seu direito de consumidor, deixe ao outro fazer a escolha de qual prova correr. Há eventos para todos.

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15 pensamentos sobre “Uns pitacos sobre o mercado

  1. Luis Oliveira disse:

    É cedo, eu preciso sair pra correr (não é nem na Lagoa, nem no Ibirapuera), mas preciso escrever antes sobre este texto:

    1) Sucesso de público, medido por número de concluintes, não significa prova bem organizada, isso é claro. Significa apenas que havia mais gente preparada e/ou disposta;

    2) Crescer 30% ou 40% em um ano, partindo de uma base baixa, é fácil. Manter taxas de crescimento elevadas, ano após ano, seria uma medida mais adequada;

    3) Não há confusão entre sucesso de público (qualquer que seja a métrica) e qualidade do produto. Isso é verdade em qualquer mercado. A crítica tem razão em diversas pontos e enquanto esses pontos não forem levados em consideração, essas provas continuarão sendo o que são: provas inchadas pela exposição na TV, mas não um lugar pra quem tem um pouco mais de discernimento sobre o que o seu $ pode comprar.

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    • Danilo Balu disse:

      1) Não poderia concordar mais, mas a mensuração da venda (não do produto acabado) acaba teoricamente no momento da largada. Mas é inegável que a Yescom teve mtos méritos por ter um crescimento tão gde em um evento que já existia, ou seja, tinha um histórico do consumidor pra comparar;

      2) Não dá pra chamar nunca de “base baixa” a 3a maior prova do país na distância. Cresceu bem mais que o mercado, por exemplo. Ou seja, cresceu mto mesmo sendo gde. Não há mérito nisso?

      3) Não nego que a prova tenha o apelo da TV poucas são assim anualmente. Ela tem deficiências técninas, mas meu pto é: ela entrega aquilo que o seu consumidor busca. Não posso jamais concordar que haja falta de discernimento em quem o consome, afinal, por exemplo, ela é uma prova mais barata que a média do mercado, por exemplo. Ela atrai um público que é mais sensível ao preço, por exemplo. Não há problema nisso.

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      • Luis Oliveira disse:

        Então vamos lá:

        1) Continuo achando que o número de concluintes é um fenômeno independente da organizadora. Sou capaz de apostar (mas não teria como comprovar) que é muito mais relacionado com o fato de ser a única prova do mês, concentrando a demanda. Mas nem é esse o ponto. Minha questão é: número de concluintes não é aferição de qualidade. Nem neste, nem em qualquer mercado. É só uma prova de que o organizador encontrou uma combinação de preço/produto/promoção interessante. Que a Yescom tem méritos? Sim claro, embora eles não me interessem, pois não sou “do mercado”, só sou consumidor.

        2) Base baixa são as de todas meias. Comparado com o potencial, a base é muito baixa. Teus semestres na Poli te deixam tratar uma observação como indicação de tendência. Eu insisto que prefiro ver taxas de crescimento como estas ano que vem. E no outro.

        3) Pra mim falta discernimento quando a compra não é racional, mas reconheço que a racionalidade é a minha, não a dos outros. Acho que a relação benefício/custo é ruim. Assim como acho que é ruim nessas provas noturnas, nas provas de butique fitness de shopping e em um monte de outras. Não é uma oposição “bobocas vs. descolados. É só uma questão de saber o que se quer.

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      • Danilo Balu disse:

        1. Discordo mto… TODO o trabalho (escolha da data, kit, percurso, estratégia de divulgação, público-alvo… TUDO) é feito pela organizadora. Do contrário teríamos o mesmo número nas diversas provas… Meia de Sampa e Golden Four foram com 15 dias de diferença com 1500 e 4500. Meia CAIXA e Meia Globo… diferença enorme… dá pra fazer isso pra cada pça. “Concluintes” não tem NENHUMA correlação com qlide do evento em 2014, mas tem um peso do que foi entregue em 2013, 2012, 2011…

        2. Sim, concordo bastante, temos poucas Meias e base e amostragem baixas. O crescimento do mercado foi de +10,4% e +6,4%. E chuto que será menor esse ano. CHUTO. O dessa prova foi de +1,6%, -14,2% e +37,5%. Posso dizer com quase certeza absoluta que o acúmulo do ano e do período 2011-2014 vai se MAIOR que a média do mercado e maior do que a das top10-top20.

        3. Falta discernimento pra todo mundo. Pra “vc” qdo vc paga R$400 num tênis, por exemplo, ou qdo corre com uma pequena dor. O custo/benefício da Yescom pode ser ruim pra VC, esse é meu pto! Mas ele NÃO é ruim…. pelo menos NÃO pode ser chamado de ruim. Correr com um pouco de dor é ruim sob QQ aspecto, correr uma prova de boutique não porque ela foi feita pra um público-alvo do qual vc pode ou não fazer parte.

        Saludos!

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      • Luis Oliveira disse:

        Perdão “Teus semestres na Poli NÃO te deixam tratar uma observação como indicação de tendência.”

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  2. Balu, pra alguns prova de sucesso é prova com público “diferenciado”. Tô começando a achar que falam mal das provas da Yescom pq são nas provas dessa empresa que mais aparece o povão. É mais ou menos como o outro comentarista escreveu aí em cima, ou embaixo: Só os bobocas e desinformados correm provas da Yescom. nós, os descolados e legais, corremos as provas da Asics, e, agora, as da Mizuno.

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  3. Cleber Isbin disse:

    Ola Balu, eu corri esta prova pelo fato de ter somente ela nos (21k) no mes de fevereiro, custo de logistica e pelo percurso tecnico com muitas variacoes entre subidas e descidas, que veio a calhar com a fase do meu ciclo de treinamento. (Base2)
    O atendimento da empresa foi dentro do previsto na grande parte, exceto os 40 min que tive que aguardar para retirar o kit.
    Durante a prova a minha unica reclamacao seria sobre a largada nao ser em ondas.
    Percebo que a organizacao nao faz o minimo de esforco para que isto aconteca com profissionalismo.

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  4. Fábio disse:

    Acho que a reclamação não é de corredor “elite” (com poder aquisitivo maior) acho que você tem conversar com o “povão” ( corredor de alma) que adora esse clima da prova ( é a boate dele ) faz bem para alma é a sua “tribo” ….. Acho que a reclamação vem daí..dessa camada de corredores…As provas da yescom são de demanda popular e aumentou muito os preços nos últimos anos……. Se a track field aumentar eles não estão nem aí, já que tem seu público alvo…….. agora provas ditas populares sofrerem o aumento que sofreram é caso de Procom, MPF, rsrs…….O Blogs deveriam dedicar matérias sobre abusos de preços também….

    E a comparação de BanditXPipocas (nos Estados Unidos). O blog poderia comparar preços, organização, qualidade de provas com as brasileiras também, seria justo…… Será que lá tem menos pipocas (se tem, pq?) será os preços, a organização, o respeito com o corredor ou a cultura do povo?………. Será que tem algum nome/palavra para organizadoras que cobram preços abusivos e fazem péssimas provas nos E.U.A. para que possamos traduzir para o português também?

    Quanto o aumento de participantes nas provas….. acho que a tendência é aumentar mais ainda, pois vem crescendo o número de corredores no Brasil….

    Obs: Acho que os blogs de corrida tem que falar de preço sim, no futebol jornalistas não cansam de falar de preços, horários dos jogos, pq blogueiros não pode falar em nome dos corredores? Além dar notícias vcs são as vozes dos corredores, pq não defender seu público? sendo esse corredor de qualquer classe social…Pois sendo ele de qualquer camada social, ele consome produtos (tênis, etc, etc) de marcas que patrocinam os blogs… E no meu ponto de vista corredor é um só, por que ama o esporte sendo ele de qualquer classe social……..
    E concordo com você que tem provas para todos os gostos e bolsos……. Mas não acho justo provas populares aumentarem tanto como vem aumentando nos últimos anos…. acho que a reclamação vem daí ….. Organizadoras aumentarem os preços e a qualidade cada vez pior…… Abraços!

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    • Danilo Balu disse:

      Eu não gosto de falar de preço porque não tenho o histórico. Aumentou mto? Pouco? Não sei… Mais que a inflação? Menos?
      Sou ainda mais avesso à órgãos reguladores em um produto para um item não-essencial. Vc não precisa correr a Meia de SP qdo há outras 4 na mesma cidade. Acho que a ÚNICA em SP seria a SS. Essa é de interesse da população. Infelizmente os sites não guardam os valores passados… já tentei isso ano passado, sem sucesso.

      Lá fora existem os bandits… não à toa existe o termo 😉
      Essa estatística é improvável justamente porque não são mercados… meu chute é que seja algo MTO cultural… mas organização e preço não são argumentos. 2 erros não fazem nunca um acerto. Sobre picaretas, postei matéria excelente a respeito de um americano (https://blogrecorrido.com/2014/02/26/leituras-de-4a-feira-7/)

      A corrida cresce no Brasil? Sem dúvida? Qto? Ninguém sabe! O que há é mto chute torto… ninguém tem essa estatística. Repito: ninguém.

      Eu não falo de preço como um Juca Kfouri fala do do ingresso porque há uma oferta de uma gama incrível. Cada portal tem seu público, seu mote… acredito mto no equilíbrio desse mercado. O que não acho correto é assumir o que é bom/ruim e caro/barato como se fosse um defensor de quem não te escolheu pra essa fção.

      Saudações

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  5. Cassio Politi disse:

    Percepção de preço é muito pessoal. Depende do poder aquisitivo de cada um e, principalmente, do valor atribuído ao serviço entregue. Ou seja, é uma decisão pessoal e abstrata.

    O ponto que me parece de grande imaturidade dos corredores diz respeito aos papéis na economia que circunda a corrida de rua no Brasil. O poder público, em especial Prefeitura e CET, cobram taxas exorbitantes dos organizadores. É impossível para a maioria das provas de médio porte sobreviver só com inscrições. Elas dependem do patrocinador para não ter prejuízo.

    E essas organizadoras não podem culpar publicamente os órgãos públicos porque correm o risco de não terem mais nenhuma autorização para provas futuras. Por isso, assumem caladas a culpa. Não que sejam vítimas e prestem o melhor serviço aos corredores. Sei que não é isso. Por exemplo, a água quente na Meia da Yescom (que eu corri) não foi culpa da CET.

    No entanto, achar que o aumento dos preços implica mais margem de contribuição (lucro) para as organizadoras é um erro. E desvia o nosso foco.

    Em tempo: para quem não me conhece, não sou organizador de provas. Já prestei serviços para duas delas, e aí entendi como funciona.

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  6. Nishi disse:

    Cresceu mesmo. Mas eu continuo não fazendo a Meia de São Paulo. Não gosto do percurso. Também não gosto da organizadora, mas reconheço que tem havido algum esforço por parte dela em melhorar a organização de suas provas em alguns pontos e a apoio no que diz respeito à restrição aos pipocas. Por que raios ela teria que tolerá-los?? Quanto ao público, ela é um pouco mais barata que as outras, mas nada que a torne “popular” simplesmente pelo valor. Cada empresa com sua estratégia. A Yescom tem um marketing “fácil” em mídia televisiva, o que ajuda muito. Se “povão” é o pessoal que vai pra prova por imaginar que é uma prova grande, já que tem apoio da Globo, então concordo. Mas aí tem que chamar de “povão” o pessoal que vai pras Major porque são provas grandes também. As demais organizadores não possuem essa facilidade e têm que vender seu peixe de outra forma. A Asics faz isso buscando vender o mote da performance para amadores nas Golden Four. A Corpore vale-se de sua tradição e do fato de ser prova da AIMS. A Mizuno vem com um marketing mais agressivo neste ano. Se vão ser bem sucedidas ou não, isso é uma outra história, mas eu acho que são as empresas que elegem a imagem que suas provas terão, e não os corredores…

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  7. Eu fiz a Maratona de São Paulo e gostei.
    Não teve largada por ondas ou baias de largada? Não. Perdi muito tempo nos primeiros kms? Sim. Mesmo assim eu gostei e faria de novo.

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