Os preços estão subindo ou se adaptando?

Depois do texto De Maratonas, sorteios e as dos sonhos ser recusado, fiz este que também nunca foi publicado. Então republico aqui.

24 de Julho de 2013.

Os preços estão subindo ou se adaptando?

Um dos argumentos sobre as vantagens de correr seria seu baixo custo, afinal você só precisa de uma rua, calçado, camiseta e shorts. Nessa conta falta ainda a assessoria e que um tênis pode custar R$600. E se você quiser participar de um dos pontos altos desse esporte, precisa colocar na conta a sua inscrição em provas.

O debate do preço de inscrições é quase sem fim entre corredores. Primeiro porque há um enorme desconhecimento do quanto é oneroso bancar um evento, por mais que o principal sejam ruas já existentes. E segundo porque a presença de patrocinadores dá a falsa impressão que a taxa de lucro nesta indústria seria acima da média. Sem entrar em detalhes, essa impressão de alto retorno é bem falsa.

Eu tenho certa preguiça quando os corredores reclamam sobre eventos caros. Não que não seja do direito deles! Reclamar qualquer um pode. Mas a pessoa pode igualmente não participar quando considere caro ou abusivo. Ninguém se inscreve por obrigação porque correr não é necessidade básica como pagar conta de Água ou Luz. A pessoa paga tendo a opção de não correr ou simplesmente optar por eventos mais baratos.

Já falamos aqui de como o mercado brasileiro é rico em opções. A pessoa abre mão de uma TV mais cara por causa do preço, mas faz na cabeça certa confusão porque acredita que pela rua ser pública, correr deveria ser subsidiado. Essa confusão é uma particularidade do nosso mercado.

No mês passado aconteceu uma das principais Meias Maratonas em SP, mas não há números dela porque a Federação Paulista de Atletismo (FPA) mesmo cobrando uma taxa alta, não se dá ao trabalho de acompanhar um mercado que muito deveria interessá-la. É assim também com outras informações. Qual o preço médio das provas no Brasil? Ninguém sabe. Será que subiram muito mesmo? Mais do que a inflação?

Nos EUA, um levantamento mostra que o preço vem numa escalada desproporcional. A explicação geral tem 2 pontos muito interessantes que fazem muito sentido. A primeira delas é uma questão meramente física. As ruas têm limites. Assim como um restaurante ou um avião, os lugares são limitados. As vagas em provas mais desejadas serão sempre finitas. Isso dá liberdade ao dono do evento de aumentar as taxas com olho mais no desejo do corredor do que no índice da inflação.

O segundo ponto levantado é que a corrida vive um boom que traz muita gente nova a esse esporte. Acompanhando as marcas do passado vemos que há mais gente correndo, porém menos corredores velozes. Se antes o caráter competitivo trazia pessoas mais preocupadas com aspectos técnicos da competição, atualmente as pessoas vão para a corrida pelo caráter social dela. Neste conjunto, a corrida não precisa entregar percurso aferido, ela precisa “entregar” uma experiência pessoal e social. E isso custa caro na conta final, dando novamente maior liberdade de preço ao organizador.

Sei que alguns saudosistas e outros puristas podem torcer o nariz, mas cada um deve tirar da corrida aquilo que quiser. Devemos sempre não apenas reclamar, mas escolher dentre as opções aquilo que melhor nos atende, inclusive em preço.

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30 pensamentos sobre “Os preços estão subindo ou se adaptando?

  1. Tadeu Góes disse:

    Se nunca foi publicado então não é republicar, certo ? rsrsrs
    Bom texto , gostei.

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  2. Nishi disse:

    É, é perceptível a má vontade que alguns dos corredores mais antigos tem para com essa “nova geração de corredores”, culpando-os por causa dessas mudanças de mercado. O fato é que o mundo gira, o tempo passa, um mercado maior de corrida traz benefícios e problemas… ou as pessoas se adequam e tentam aproveitam os benefícios, ou que se recolham aos resmungos rabugentos do “na minha época era muito melhor”.

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  3. Ana Minarelli disse:

    Muito bom seu texto!!! É a velha história da livre escolha… mas imagino que deveria ser obrigação dos organizadores, que o percurso fosse aferido… é uma dureza vc correr uma prova de 10k e ela ter 9,400 ou 10,800… Abraços!

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  4. Adolfo Neto disse:

    Foi recusado onde? Na Contra-Relógio?

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  5. Enio Augusto disse:

    Sempre penso que se o corredor acha caro, ele não precisa se inscrever. Não é bem essencial para sobreviver. Eu já faço uma triagem há tempos. Cada vez mais prefiro as bem organizadas, aferidas. Azar se forem caras.

    Tem gente que reclama de preço de corrida mas corre todo fim de semana. Ou ainda reclama, diz que só vai nas baratas e corre todo fim de semana. No fim, a conta fica enorme.

    Cada um escolhe o que preferir. Se uma corrida for muito fora da realidade de preços e não tiver demanda, ou ela acaba ou diminui o preço. Do contrário, continua.

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  6. Ale.Augusto disse:

    Muito bom texto. Bem claro.
    É bem isso mesmo: sao escolhas que cada um deve fazer. Querer correr todo atleta quer, mas tem que ver se da pra arcar com os custos. É mesma coisa de falar, eu queria ter um Porsche, mas ta caro. Tem gente que prefere ter um porsche e morar de aluguel, mas há outros que preferem ter sua casa propria na frente da praia e nao ter o Porsche. Sao escolhas.
    Tambem acho que deveriamos ter opcoes diferenciadas de inscricao, por exemplo, inscricao sem direito ao kit, pra baratear um pouco. Algumas corridas oferecem kit basico, kit plus, kit vip. Mas quase nenhuma corrida oferece: “sem kit”

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  7. Balu e demais colegas, bom dia!

    Com todo o respeito, acho que o texto está meio contraditório. Por um lado diz que as margens de lucro da realização do evento “corrida” não são muito elevadas. Mais adiante, porém, tem isto:

    “As ruas têm limites. Assim como um restaurante ou um avião, os lugares são limitados. As vagas em provas mais desejadas serão sempre finitas. Isso dá liberdade ao dono do evento de aumentar as taxas com olho mais no desejo do corredor do que no índice da inflação.”

    Em outras palavras a elevada procura causa o aumento da margem de lucro. Sinal claro de que o aumento é de margem, não de custos. Talvez a conclusão seja: a margem de lucro não é alta mas está aumentando, mas isso não fica claro no texto.

    Por outro lado não acho que o caráter “social” da corrida tenha grande impacto no preço. Corro há mais ou menos 6 anos e quando comecei as corridas já tinham esse caráter ,mais “social”, uma corrida do Circuito Adidas na época era igualzinha ao que se vê hoje. O que não impediu os preços de ir para a estratosfera.

    Finalmente, concordo com o que disseram acima: paga quem quer. Da minha parte procuro prestigiar as (poucas) provas que acontecem aqui em Nova Friburgo, entre outros motivos porque a inscrição é sempre barata para os padrões atuais. Descer a Serra para correr no Rio só em casos de provas tradicionais (São Sebastião) ou que ofereçam um percurso diferente e/ou desafiador (Rio Antigo. Rocinha Portas Abertas, etc);. Pagar uma baba para para dar voltas no Aterro definitivamente estou fora.

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    • Danilo Balu disse:

      Veja que no parágrafo que vc mesmo citou está lá: “As vagas em provas mais desejadas”. Qtas são as provas que esgotam inscrições com mta antecedência? Qtas provas acontecem num ano? As margens são variadas entre as provas, mas são baixas, acredite ou não.

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  8. Belo texto Balu.
    Eu sou corredor das antigas, mas não fico de mimimi sobre o meu passado… rsrsrs
    Sou do tempo que as corridas da Corpore custavam R$ 15,00//20,00.
    Mas enfim, eu concordo que o preço das corridas aumentaram, mas ninguém vê que muitas coisas foram adicionadas ao orçamento das organizadoras.
    Antigamente não se pagava a CET, não se pagava a FPA, etc..
    Os custos aumentaram… e tem organizadora que mesmo assim tem prejuízo, mas obviamente, ninguém vai acreditar nisso.
    Abs.

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  9. Luis Oliveira disse:

    Balu, tem algumas coisas aqui, pelas quais o seu texto passa meio batido. Vamos ver se eu consigo organizar. Partindo do ponto incontroverso: corridas de rua são um mercado que oferece um bem não essencial. Ponto, parágrafo. Vai quem quer, etc… Mas:

    1. Porque será que este mercado ainda não encontrou a diferenciação? Porque todas as corridas seguem as mesmas fórmulas de sucesso (o kit recheado de bugiganga, as camisetas de tecido tecnológico, as medalhas de participação, etc)? É óbvio ululante que exite espaço para produtos mais simples, mais focados em corredores competitivos, como parecem indicar a Golden 4 e outras. Tá faltando criatividade;

    2. As ruas que as corridas utilizam são um bem público. Isso limita o argumento de “mercado”, o de “que vai quem quer e quem não quiser que vá chorar na cama”. Há uma discussão sobre o uso privado desses bens públicos que ainda não foi feita.

    3. Finalmente, algumas corridas, e eu nem preciso citar o nome aqui, tem um aspecto cultural que transcende a propriedade formal. Uma corrida com 30, 50, 80 anos de existência é parte da paisagem da cidade, parte do calendário de eventos, é um bem quase público também. A liberdade do promotor/dono é limitada, pois todos se sentem “donos”. Essa é outra discussão que os inúmeros textos de final de ano sobre aquela corrida famosa nunca tocam.

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    • Danilo Balu disse:

      Antes de tudo, em uma revista há a limitação de espaço, tive que ser rigidamente breve e sucinto. Não o editei nesta postagem.
      1. Não encontrou porque ainda não precisa. Pra quê ter air-bag se ninguém oferece e vão comprar de vc do mesmo jeito? Não inventam alternativas porque ainda não há necessidade. Lei do Mercado. Acho que no futuro teremos isso aqui no Brasil.
      2. Não foi feita, mas será feita. Se vc quer organizar corrida em SP ou Rio já tem mtas dificuldades. Quem quiser entrar vai questionar “direitos adquiridos” das mais antigas.
      3. Concordo 100%, mas essas corridas são qtas? Meia dúzia?
      Abrax

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      • Luis Oliveira disse:

        Imaginei que espaço era um problema. Viva o blog.

        Quanto à evolução, eu queria ser tão otimista quanto você. Não sou.

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      • A questão não é só limitação na organização das corridas. Todo mundo aqui (inclusive eu) apoiou a lei do mercado, paga quem quer. Mas quem usa um bem público tem o direito de cobrar o que quiser pelo serviço, sem dar satisfação a ninguém? Dá o que pensar…

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  10. Marcelo Hideki disse:

    As vezes tenho a impressão que algumas organizadoras,na tentativa de justificar o preço da inscrição,ficam inventando “frescuras” como área vip,pelotão C,espaço mulher,contratação de DJs…
    Existem essas “frescuras” em provas no exterior?

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  11. Balú e todos, taxa da USP para uma corrida no local em 2014 = R$ 120.000,00!

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  12. Adriana disse:

    Observei 2 coisas esse início de ano. 1 – Não sei se é impressão minha, mas aumentou muito a quantidade de propaganda de provas veiculadas no início do ano! Estão mandando muita propaganda de provas em maio, junho…..com inscrições abertas! 2- Surgiram os pacotes ou “combos” para inscrição em provas! Quanto mais provas se inscrever maior o desconto, estimulando a inscrição em provas da mesma organizadora! Você escolhe no início do ano quais você quer..e vai acumulando o desconto.
    Parece estar havendo uma competição maior entre as organizadoras, é isso?

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    • Danilo Balu disse:

      Provas antecipadas porque durante a Copa (um pouco antes na verdade) está PROIBIDO fazer provas nos meses de Junho e Julho. E o 2o semestre é sempre mais fraco de eventos. Só por isso.
      Os descontos de combo ajuda no planejamento qdo vc sabe a demanda. Estranho era não haver isso antes… mas faz sentido, os circuitos são minoria.

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  13. Nishi disse:

    Recorde de comentários? Falou em preço de corrida, o bicho pega!!!

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  14. Sim minha gente, estou aqui em BH pra uma prova de 10 km amanhã. Preço da inscrição: 2 latas de leite em pó. Prova pequena (para os padrões atuais) limitada à 1.500 pessoas. Todavia não estou ranzinza e saudosista no quesito valor de inscrição, esta semana me inscrevi na meia maratona de Florianópolis no dia 23 de março e paguei R$ 103,00. Quando a prova é interessante pra mim e se encaixa nos meus objetivos, sejam esportivos ou turísticos, pago sem problemas. Essa prova em Floripa vale a pena, pois além de correr uma meia aproveito pra passear com minha esposa e todos sabemos que Floripa é tudo de bom, principalmente o sul da ilha. Mas também não vou ficar pagando cem paus em inscrição de provas todo mês. Prova com valor de R$ 100,00 pra mim é exceção.

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  15. Otimo texto. So nao acho justo corridas de grife (track field e O2) terem o msm custo que uma golden. Corrida de rua realmente virou nicho de mercado!

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  16. Shigueo disse:

    Haja comentário! Imagina se tivesse tocado no tema pipoca já que muita gente usa o alto custo das provas para justificar esta ‘atividade’.
    Uma visão aqui dos Estados Unidos: ultimamente tenho visto provas que não tem nada de oficial, são apenas um encontro social, um rolezinho a céu aberto. Um exemplo é a Color Run (que pelo que escutei já chegou ao Brasil tb): não é cronometrada, passa longe de ser aferida, oferece um kit com umas coisinhas a mais, mas o grande barato é ser bombardeado com tinta em pó, durante e após a corrida/caminhada. O lance é ir de camiseta branca e tirar fotos dela totalmente colorida depois do evento. Uma festa.
    Fora isso tb vejo que os custos por aqui estão aumentando: a provinha (tem menos de 800 corredores) de 5k da cidade onde moro saiu de US$20 em 2010 e este ano foi para US$30. Acho caro. Por outro lado paguei US$90 para fazer a Maratona de Miami em 2011, que naquela época tinha o mega patrocínio da ING (perderam este ano), o que achei razoável para a realidade daqui. Enquanto isso, morreram US$260 na Maratona de Nova York este ano, muito maior e mais procurada e portanto regida pela lei da oferta e procura.
    Mas no final, a seleção natural deve existir. Quem quiser, por motivo a, b ou c, paga para fazer a prova. Se deixar de ser interessante, a prova morre. Simples assim.

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  17. Talvez seja da natureza do texto polêmico a contradição, depende do leitor. É difícil deixar tudo claro, mesmo com muito mais espaço. O bom mesmo é o debate que surge. No fim das contas temos aqui bom texto e debate. Coisa boa. Valeu!
    Fundamentalmente entendo que o texto fala sobre escolhas e sobre esse comportamento chato de gente que vive reclamando sem olhar o próprio umbigo e sem entender realmente a questão. Mas, de forma semelhante a alguns comentários, acho que faltou ficar claro que exitem provas com o objetivo de ganhar dinheiro (agora acho que já tá claro), ainda que sejam uma minoria. Existem organizações claramente com essa finalidade. Nem estou discutindo preço, margem de lucro e essas coisas. Pegando um pouco a ideia que o Balu defende em relação à corrida, quando é desproporcional o que se recebe em relação ao que se entrega, temos alguém querendo ganhar dinheiro ou alguém querendo fazer “caridade”, normalmente política. Quando a sensação é de um “serviço justo”, está tudo certo. Talvez o Balu estive tratando só das provas mais destinadas ao serviço corrida mesmo.
    Outra questão, é que sabemos que tem muita gente que corre e não tem grana para pagar algumas provas. É claro que temos essa situação em outros esportes, mas parece que na corrida e futebol tem mais (aí talvez entre a questão de correr ser barato). Corredores que mereciam ou sonham participar de algumas provas e não podem. Existem opções mais baratas, ok… tem a pipoca, ok?!…. é a regra do capital, ok… mas às vezes é f.

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  18. Ulisses disse:

    Outra alternativa é correr sem pagar, o famoso pipoca. Não se ganha medalha nem camisa, mas o resto a gente tem. É igual à pirataria. Se o preço fosse mais em conta a gente até pagava o original, mas como é abusivo…

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